Não passei no vestibular, e agora?

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As pessoas acham que se não passarem no vestibular a vida acabou. Mas o que todo mundo precisa saber é que passar direto do ensino médio é exceção, a maioria das pessoas (tipo 70%) precisa de mais de um ano para passar em vestibulares top como MED, ITA, IME.

Quanto mais difícil o vestibular mais se demora pra passar.

Os que passaram de primeira começaram a preparação antes, no 1o ou 2o ano do ensino médio.
Em outras palavras, não passar de primeira é a norma, quem passa em um ano de estudo apenas é a exceção. Tenho tantos exemplos de colegas e amigos próximos que demoraram alguns anos pra passar e hoje estão super resolvidos, com empresas loucas para contratá-los e outros com suas próprias empresas, e os da USP se tornando médicos fantásticos. Que bom que não desistiram.
Não passar rápido não é uma vergonha. Vou repetir, não passar rápido é o normal, principalmente porque:
só no primeiro ano de estudo sério que o aluno realmente aprende como se deve estudar, como se organizar, como lidar com a parte psicológica.
No ITA é assim:  uma turma de 170 tem uma meia dúzia de gênios, são os futuros Suma cum Laude,   mas o resto é mais ou menos parecido, e não tem essa de quem passou de primeira ou não, é só mais um detalhe como de onde você veio.  É muito bom viver entre tanta gente tão inteligente, você cresce muito. Vi que a USP medicina também é assim, a grande maioria é super normal, com uma ou outra exceção de pessoas super inteligentes.
Um motivo para não desistir é que o ITA, o IME, ou a USP e Unicamp não são só uma faculdade, você está entrando para um grupo que se ajuda em tudo, trabalha junto, se contrata, faz mentoria uns dos outros, a comunidade iteana, por exemplo,  transcende um diploma de engenharia. Posso dizer até que mesmo nessa crise não conheço nenhum, sério nenhum, engenheiro do ITA desempregado. A mesma coisa posso falar dos médicos da USP, além de terem as melhores oportunidades de trabalho e pesquisa, meio caminho andado para as melhores residências, eles ainda se ajudam dentro da comunidade uspeana.
Então vale muito a pena, mais um ano de estudo pode parecer muito difícil agora, pode significar muita renúncia, mas no futuro você vai até olhar com carinho para esse ano que persistiu, que continuou na luta. E vai ver o quanto moldou seu caráter, dá até vontade de chorar lembrar disso. No meu caso, no ano que eu fiz eu não passei no IME e aquilo me destruiu, foram vários dias chorando, não dá nem pra descrever o que passou. Naquela época já existia email mas ainda havia o costume de escrever cartas, então escrevi pra uma amiga de infância tudo o que estava passando, deu uma carta quilométrica, mas escrever me ajudou tanto a lidar com tudo isso. Me fez pensar no que ela pensaria vendo isso, que ela veria meu sofrimento mas veria também o quanto era desnecessário sofrer, basta passar mais uns 365 dias estudando, estudar não é difícil, o difícil é lidar com as emoções negativas, com a pressão que nós mesmo nos impomos, os pais podem resistir a mais um ano mas  entendem.
Um dia um amigo do ITA  me falou que tudo o que a gente passa é mais difícil ou mais fácil dependendo do referencial, é um exercício bom tentar ver as situações por outro ângulo, tentar esquecer nossas opiniões sobre as coisas e ver de cima, ou de lado, ou de baixo, ou mesmo do futuro, o que acontece com a gente.
Naquela época eu não sabia disso, mas como falei escrever me ajudou a digerir a situação.
Uma semana depois de receber o resultado do IME decidi que já acabou o tempo de chorar, foi só uma batalha perdida, e eu ainda tinha chances de passar no ITA (mesmo com todos dizendo que só passa no ITA quem passa no IME).
Foi difícil mas consegui me recompor, pegar o ritmo de novo, e fazer muitas provas antigas. Algumas provas estavam tão frescas na memória que já lembrava a página com a questão resolvida. Sempre que batia a tristeza eu escrevia de novo. Vale lembrar que conversar com um amigo também é uma boa solução. Eu não tinha amigos próximos no cursinho  então acabava tendo que escrever.
Se você está nessa situação encontre um jeito de lidar com a emoção, eu sei que é difícil mas dá pra conseguir. Imagina se eu tivesse me deixado abalar por mais que uma semana?! Talvez não tivesse passado no ITA, talvez teria até desistido de tentar de novo, sabe Deus como seria minha vida hoje.
A mensagem que quero deixar é que é normal não passar de primeira ou de segunda, terceira, os que persistem passam.
E também digo que é importante viver o luto da reprovação, chorar, conversar, aceitar, escrever, e logo depois pensar em como melhorar pra seguir em frente. E aí continuar os estudos com toda a força, pensando na vitória lá na frente.
Desejo de coração que essa fase passe da forma mais leve possível e que os estudos continuem e que você atinja seu objetivo.
Um abraço,
Susane

Sobre o autor

Susane Ribeiro

Eng. Aeronáutica do ITA. Turma 2009.

Sobre mim

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